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Vendas 30% maiores no Brasil elevam resultado da Avon

As ações da Avon, maior empresa de vendas porta a porta do setor de cosméticos do mundo, tiveram a maior alta dos últimos oito anos, após a companhia ter divulgado o lucro do segundo semestre com números que bateram as estimativas dos analistas, graças aos negócios no Brasil e na Rússia.

O lucro liquido mais que dobrou, chegando a US$ 235,6 milhões, ou 55 centavos por ação. As vendas cresceram mais de 30% no Brasil e na Rússia, amparadas pela alta do real e do rublo. Houve lucro 2% maior na América onde, alguns analistas esperavam declínio. Os números mostram que a estratégia da CEO Andrea Jung vem dando certo. Sua cartilha prega que é melhor vender menos, mas focando em produtos rent´veis, do que vender grandes quantidades de artigos que proporcionam pouco ganho.

Outra lição que Jung tem imposto é investir mais em publicidade e também em incentivos para a equipe de vendas, que no Brasil reúne mais de um milhão de pessoas. "Esses resultados refletem nosso desempenho mais agressivo desde que implementamos a nova estratégia, h´ três anos", disse a executiva, durante uma teleconferência com analistas. "Estamos seguindo o roteiro que traçamos para retomar o crescimento do negócio. Passo a passo, país por país, estamos fazendo o que dissemos que faríamos", afirmou.

Segundo dados da empresa, o investimento em publicidade cresceu 10% desde 2005, principalmente para produtos de forte apelo e boa margem de lucro, como o Pro-to-Go Lipstick (ainda não disponível no Brasil) e o Renew Ultimate, para contorno dos olhos. Neste último trimestre, a Avon aumentou seu exército de vendedoras em 7% no mundo. Tudo isso graças a uma verba de US$ 16 milhões destinada a incentivos ás consultoras.

No mundo todo, mais de 5,5 milhões de pessoas são revendedores da marca, que atua em mais de 100 países. Os best-selers são o creme de tratamento anti-rugas Renew e a linha de hidratantes Skin-So-Soft. Por região, a América Latina ganha disparado das outras em que a companhia atua. As vendas deram um salto de 27% no continente (incluindo México e países centro americanos). Os maiores saltos foram verificados na Venezuela, com alta de 50% em vendas, mais de 30% no Brasil, 20% na Colômbia e de 12% no México. Os países do leste europeu, incluindo a Rússia, foram responsáveis por um salto de 30% no faturamento. Os resultados também foram bons no restante da Europa, Oriente Médio e regiões da África. Nessas localidades, as vendas subiram 14%. Na Ásia e Pacífico, houve alta de 12%.

Mas a estratégia da fabricante de cosméticos também tem um lado não muito bom para os países mais desenvolvidos. A empresa tem feito demissões nos países mais ricos e transferido produção para os de mão-de-obra mais barata desde novembro 2005. Tudo para conseguir cortar custos. A meta é eliminar US$ 430 milhões em gastos até 2012, sendo que US$ 270 milhões somente este ano. O lado ruim da histõria é que a companhia vai aumentar o preço de alguns artigos, de 5% a 10% acima da inflação, para compensar o aumento no custos de produção.